Editorial
Um novo ano significa, sempre, novas realizações e agradáveis surpresas
Nessa linha e iniciando 2012, a Dental Press IMPLANTOLOGY traz a experiência e o charme científico do Prof. Dr. ALBERTO CONSOLARO, convidado para ser editor da revista. Especialmente interessado em ensinar, quer principalmente transmitir a importância da educação nas diferentes fases da vida e a necessidade de aprofundamento e posterior repasse dessa gama de conhecimentos para a comunidade científica e em geral. Desempenha o seu papel brilhantemente nas instituições a que está vinculado, deixando claras em sua entrevista — conduzida pelos editores assistentes LUIZ ROGÉRIO DUARTE e FRANKLIN LEAHY — ideias e opiniões recheadas de conteúdo moderno, polêmico e praticamente delineador de conquistas ainda perseguidas.[...]
Carlos Eduardo Francischone
Entrevista
Entrevista com Alberto ConsolaroLuis Rogério Duarte, Franklin Moreira LeahyProfissão: PROFESSOR. Segundo a definição encontrada no dicionário Aurélio da língua portuguesa, professor é aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina; mestre. Todos esses recursos estão profundamente arraigados ao perfil e à história do entrevistado desta edição da Dental Press Implantology, o professor doutor Alberto Consolaro.
Explicações e Aplicações
Hipercementose e aumento da espessura do cemento com a idade: implicações clínicas e significadosAlberto Consolaro, Renata B. Consolaro, Leda A. FrancischoneUma alteração muito comum, que suscita muitas dúvidas sobre sua etiopatogenia e significado, é a hipercementose. A literatura pertinente é reduzida e o cemento representa o tecido dentário menos estudado, ignorando-se até qual o seu grau de reatividade frente a estímulos e agressões. A espessura e a estrutura do cemento mudam com a idade. Deve-se fazer uma diferença precisa entre o aumento da espessura do cemento e a hipercementose. Na hipercementose se tem uma formação excessiva do cemento, além do limite necessário para cumprir suas funções normais, com alteração da forma macroscópica da raiz, especialmente em seu diâmetro. Cada forma de hipercementose tem significados diferentes: como interpretá-los no planejamento e/ou no acompanhamento do tratamento? Deve-se tomar algum cuidado especial, do ponto de vista biológico, ao se colocar um implante vizinho a um dente com hipercementose? Para colaborar com as respostas a esses questionamentos — e ao mesmo tempo colaborar para diagnósticos mais seguros da hipercementose, valorizando-se o seu significado clínico e biológico —, nos propusemos a reanalisar a literatura e uma amostra estudada ao longo dos anos em trabalhos, dissertações e teses.
Pergunte a um Expert
Quando indicar os enxertos ósseos autógenos ou os substitutos ósseos em Implantodontia? Parte IIPaulo Sérgio Perri de CarvalhoUm de seus maiores e mais constantes desafios para os profissionais da Odontologia e mais especificamente para os Implantodontistas tem sido a recuperação de regiões desdentadas após a perda de um ou mais dentes. A despeito de todo visível progresso na prevenção de cáries e doença periodontal, a remoção dos dentes ainda é um tratamento prevalente e mutilador.
Carta para o Editor
Dario Augusto Oliveira MirandaA BioengenhariaEsta é uma oportunidade especial na Odontologia para expandir nossos horizontes e para que cientistas e clínicos empreendam exploração do futuro sobre os temas da bioengenharia, do crescimento e dos fatores de diferenciação. Alguns cientistas foram, no passado, acusados de fornecer uma visão futurista do impacto clínico dos avanços biológicos e tecnológicos sob a perspectiva de suas especialidades. Isso me faz lembrar de que quando eu, um calouro na faculdade de Odontologia, ouvi um especialista mundial em Cardiologia, nos dizer que havíamos cometido um erro ao escolher a Odontologia como profissão, porque dentro de 18 meses, haveria no mercado uma vacina para a cárie. Eu sugiro que cada um valorize a informação que vai conhecer hoje, como eu deveria ter feito na época com base no que ouvi. Isto tem a ver com a necessidade de investigação pré-mercadológica a respeito de novos produtos. Nos primórdios da osseintegração, muito tempo se passava antes de haver alteração nos produtos. O sistema contemporâneo inverteu o processo a tal ponto que novos produtos são rotineiramente disponibilizados ao profissional com uma investigação inadequada. É frequentemente solicitado aos profissionais da área odontológica que utilizem novos dispositivos e que informem sobre o sucesso de seus resultados do tratamento sem ter informado ao paciente que estão conduzindo pesquisas. Essa é uma abordagem não científica que não traz nada de bom para o implantologista.
Caso Clínico
Reabilitação com prótese total fixa sobre implantes desfavoravelmente posicionados em maxila: relato de casoFranklin Moreira LeahyA Implantologia contemporânea, associada à prótese dentária, oferece alternativas diversificadas e muito bem fundamentadas para a resolução das mais variadas e críticas situações clínicas dentro da Odontologia. Essas situações tendem, naturalmente, a agrupar-se em classificações já amplamente estudadas e consagradas na literatura mundial, considerando-se, inclusive, a importância de resultados continuamente revelados por evidências científicas nesse amplo contexto. Dentro de limites muito bem definidos, é factível a indicação e possibilidade do reaproveitamento de implantes desfavoravelmente instalados, como ponto de partida para um outro planejamento protético. Realizar nova cirurgia para removê-los e, em seguida, instalar implantes em posições supostamente ideais, com os recursos que dispomos hoje, pode até ser mais lógico ou recomendável, mas nem sempre é tecnicamente possível sem que procedimentos mais complexos sejam requisitados, acarretando maior desconforto, morbidade e tempo total para finalização. Considerar todos os aspectos possíveis que possam envolver o paciente e o problema apresentado, aliado à coerência de uma conduta mais conservadora no planejamento de qualquer tratamento, faz com que o arrojo e a impetuosidade inerentes ao conhecimento das técnicas inovadoras ou de vanguarda, ainda que consagradas, mesclem-se providencialmente com a prudência e um calibrado comedimento no campo interpretativo dos tratamentos, resultando em grandes benefícios para os pacientes. Este artigo relata um caso que ilustra essa conjunção analítica de expectativas. Reúne ciência, consciência e experiência. Funde teoria e prática, aliadas ao bom senso e previsão de bom prognóstico.
Artigo Selecionado
Reparo de defeitos no rebordo alveolar usando rhBMP-2 em babuínosDario A. O. Miranda, Neil M. Blumenthal, Carlos Eduardo Francischone, Alberto ConsolaroO objetivo deste estudo foi avaliar o aumento do rebordo alveolar em babuínos (Papio anubis) após o enxerto da proteína morfogenética óssea recombinante humana 2 (rhBMP-2) fazendo uso de dois carregadores. Foram produzidos defeitos padronizados cirurgicamente no rebordo alveolar (? 15 x 8 x 5mm) na maxila e mandíbula em quatro áreas edêntulas de babuínos. Os sítios dos defeitos receberam enxertos com rhBMP-2 (0,4mg/mL) num composto de fosfato tricálcio/hidroxiapatita/esponja de colágeno absorvível (TCP/HA/ACS) ou utilizando um outro enxerto de fosfato de cálcio (?BSM). Tratamentos de controle foram executados sem rhBMP-2 (cirurgia sham - controle). Pinos de aço inoxidável foram colocados nos níveis medioapical e coronal nos locais dos defeitos visando fornecer pontos de referência para medições pré e pós-tratamento. Foram realizadas moldagens dos defeitos pré e pós-tratamento para avaliar as mudanças no volume do rebordo alveolar. Exames radiográficos foram obtidos pré-implantação e imediatamente antes da cirurgia de reentrada. Secções em bloco foram realizadas a 16 semanas do pós-operatório e processados para microscopia de luz. Os cortes histológicos centrais foram avaliados para: área do osso trabecular, área de espaço medular, e densidade óssea utilizando um programa de computador de análise da imagem. Análises estatísticas entre os tratamentos foram feitos usando ANOVA. Os veículos sem rhBMP-2 apresentaram um aumento de rebordo modesto. A adição de rhBMP-2 resultou em um aumento mais significativo de quase duas vezes a largura do rebordo alveolar, volume e osso trabecular, menor espaço medular, e maior densidade óssea em comparação com os controles (p ? 0,05), sem diferenças significativas entre os protocolos. TCP/HA/ACS e ?BSM podem ser considerados veículos adequados para rhBMP-2. A rhBMP-2 combinada com estes carregadores provocou aumento alveolar, podendo proporcionar aumento clinicamente relevante de defeitos do rebordo alveolar antes da colocação de implantes dentários.
Revisão de literatura
Arcada dentária reduzida: conceitos e atualidades — revisão da literaturaIsis Carvalho Encarnação, Ivan Contreras Molina, Maria Del Piñal Luna, Antonio Carlos CardosoObjetivos: evidenciar as vantagens e desvantagens do conceito de arcada dentária reduzida na reabilitação dos pacientes com prótese convencional e prótese sobre implantes, ampliando as opções de tratamento aos pacientes. Revisão de literatura: o conceito restaurador tradicional faz com que a dentição entre num ciclo de reparo permanente, mais de 50% dos trabalhos restauradores consistem no reparo de restaurações prévias. A arcada dentária reduzida tem sido estudada já há bastante tempo e há evidências que atestam a sua previsibilidade como opção nos tratamentos odontológicos. Discussão: a arcada dentária reduzida é indicada para simplificar o plano de tratamento, mas é importante considerar suas limitações em pacientes jovens, por terem um alto requerimento funcional, pacientes com mordida aberta anterior, pacientes com relação oclusal tipo Classe II e III severa, desgastes oclusais severos e pacientes bruxistas. Conclusão: o tratamento dentário visa manter a função natural da dentição durante a vida, incluindo as funções sociais e biológicas, como a auto-estima, estética, fonética, mastigação e conforto bucal. A filosofia da arcada dentária reduzida atende a todos esses requisitos, ampliando as opções de tratamento aos pacientes.
Artigo Inédito
Caracterização micrométrica das superfícies dos implantes das cinco maiores companhias do mercado brasileiro. Parte I: implantes da NeodentMarcio Borges Rosa, Tomas Albrektsson, Carlos Eduardo Francischone, Humberto Osvaldo Schwartz Filho,Ann WennerbergIntrodução: a qualidade da interface entre osso-implante é influenciada diretamente pela rugosidade da superfície do implante e uma rugosidade média, com Sa entre 1 e 2µm, tem demonstrado melhores resultados clínicos e laboratoriais. No Brasil, são instalados mais de dois milhões de implantes por ano, onde 79% são fabricados por empresas nacionais. Porém, muito pouco é divulgado ou se conhece sobre a caracterização das superfícies desses implantes, a nível micrométrico. Este estudo visa avaliar e caracterizar, numericamente, a superfície dos implantes da empresa Neodent, uma das cinco maiores empresas do mercado brasileiro. Métodos: foram avaliados três implantes, comprados diretamente no mercado, de três desenhos da companhia e de diferentes lotes, através de um interferômetro de luz. Foram realizados nove medidas, escolhidas aleatoriamente, para cada unidade, sendo três nos topos, três nos vales e três nos flancos das roscas. O mesmo padrão foi seguido para avaliação através microscópio eletrônico de varredura. Resultados: de uma forma geral, os implantes analisados desta companhia, apresentaram valores de Sa de 0,75µm, 0,67µm e 0,65µm, respectivamente para cada desenho analisado. Na comparação entre os lotes, todos os desenhos apresentaram diferenças estatisticamente significativa, entre pelo menos um lote em relação aos outros. Conclusões: Os valores de rugosidade encontrados, classificam as superfícies, dos três implantes avaliados, como minimamente rugosas.
Avaliação do efeito do tratamento periodontal não-cirúrgico na hipersensibilidade dentináriaCaroline Dresch, André Barbisan de Souza, Ana Alice Girardi, Vitor Marques Sapata, Giovani Oliveira Corrêa, Fabiano Carlos Marson, Cléverson O. SilvaObjetivo: avaliar o efeito do tratamento periodontal sobre a hipersensibilidade dentinária. Métodos: participaram do estudo 20 pacientes diagnosticados e tratados de periodontite crônica na Clínica Odontológica da Faculdade Ingá (Uningá), Maringá/PR. Os pacientes foram avaliados quanto à sensibilidade dentinária pela escala VAS antes do tratamento periodontal não-cirúrgico e 10 a 14 dias após seu término. Resultados: os pacientes apresentavam, antes do início do tratamento periodontal, uma sensibilidade média de 3,05+3,00, de acordo com a escala VAS. Ao final do tratamento houve uma diminuição significativa da hipersensibilidade dentinária, para um valor médio de 1,00+1,45. Conclusão: com base nos resultados obtidos, pôde-se concluir que o tratamento periodontal não-cirúrgico, associado a uma modificação dos hábitos de higiene, foi capaz de diminuir a hipersensibilidade dentinária em indivíduos com periodontite crônica.
Revisão de literatura
Fatores de risco biomecânicos em próteses implantossuportadas — revisão de literaturaMarcelo Barbosa Ramos, Luiz Alves de Oliveira Neto, Max Dória Costa, Paulo Martins Ferrreira, Luiz Fernando Pegoraro, José Henrique RuboOs esforços mastigatórios aplicados sobre as próteses implantossuportadas podem comprometer a eficiência do tratamento. Os implantes osseointegrados estão suscetíveis a diversos fatores de risco, dentre eles os de ordem biomecânica, envolvendo a compreensão das cargas ou sobrecargas oclusais aplicadas sobre todos os componentes do sistema biológico (suporte ósseo-periodontal) e mecânico (componentes prótese-implante). O objetivo dessa revisão de literatura foi discorrer sobre os fatores de risco de ordem biomecânica e sua influência no sucesso das próteses sobre implante. Os autores concluíram que o controle das cargas biomecânicas recebidas pelas próteses implantossuportadas são fatores fundamentais para a longevidade do tratamento, por atuarem diretamente sobre a prótese, parafusos, intermediário, implante e suporte ósseo.
Caso Clínico
Fibroma ossificante periférico associado a defeito de furca Classe II em molar superior: relato de caso clínicoKarina Giovanetti, Ana Regina Oliveira Moreira, Mauro Pedrine Santamaria, Enilson Antonio Sallum, Jacks Jorge JuniorIntrodução: fibroma ossificante periférico (FOP) é uma reação hiperplásica que ocorre exclusivamente na gengiva e afeta frequentemente mulheres. Recorrência não é incomum e a presença de periodontite severa aumenta o risco de recidiva porque os sítios com envolvimento de furca ou defeitos ósseos podem dificultar a completa excisão da lesão. Este trabalho tem como objetivo relatar um caso de FOP associado a um defeito de furca Classe II em uma paciente com periodontite. Relato de caso: paciente do sexo feminino, 58 anos de idade, com recorrência de lesão hiperplásica do tecido gengival, que havia sido excisada há 6 meses e diagnosticada como FOP. A lesão apresentava-se como uma massa nodular assintomática na maxila posterior, não-ulcerada, eritematosa, séssil, de consistência firme e endurecida. O exame clínico também mostrou presença de periodontite como manifestação de doença sistêmica. No local da lesão estava presente profundidade de sondagem de 9mm, sangramento à sondagem e defeito de furca Classe II. Ressecção cirúrgica e meticulosa raspagem e alisamento radicular foram realizadas, tomando-se cuidado de remover completamente a lesão. Não houve recidiva da lesão após um ano de acompanhamento, com melhora nos parâmetros clínicos de saúde, tais como redução na profundidade de sondagem para 3mm, ausência de sangramento à sondagem, ganho de inserção clínica e fechamento da furca. Conclusão: dentro dos limites deste relato de caso, pode-se concluir que a ocorrência concomitante do FOP a um envolvimento de furca, devido às características anatômicas desta região, representa um desafio para os clínicos e aumenta o risco de recorrência.
Imagem e Ciência
Uso seletivo de sistemas de flash para produção de documentação fotográfica em OdontologiaAndré Navas Alves de Castro, Jorge Luis SaadePaciente do sexo feminino, 32 anos, sofreu acidente automobilístico com presença de trauma crânio facial e lesões múltiplas em tecidos moles na região da face. Procurou auxílio odontológico para verificar a existência de lesões dentais traumáticas. Exames radiográficos e tomográficos não apresentaram alterações e lesões nos ossos da face e na porção radicular dos dentes.
Observatório
Resumos, em português, de artigos publicados em importantes revistas da área de Implantologia, Prótese e Periodontia de todo o mundoDario Augusto Oliveira MirandaOs objetivos desta revisão são: (1) identificar os parâmetros essenciais de superfície; (2) apresentar uma visão geral das características da superfície no nível de resolução micrômetro e nanômetro relevantes para os quatro mais populares sistemas de implantes orais; (3) discutir as vantagens potenciais de nano-rugosidades, hidrofilicidade, ligações bioquímicas, e (4) sugerir um mecanismo hipotético comum por trás das intensas respostas ósseas para com as novas superfícies de implantes de diferentes empresas comerciais. Implantes orais provenientes de quatro grandes empresas variaram em rugosidade média de superfície (Sa) 0,3-1,78 µm e na proporção da área de superfície desenvolvida (SDR) de 24 a 143%, com os implantes mais lisos provenientes da Biomet 3i e mais rugosos da Instituto Straumann. O implante Bränemark original, com superfície usinada teve um Sa de 0,9 µm e uma Sdr de 34%, mostrando-se claramente mais áspero do que o mais suave dos implantes examinados.