Editorial
Respostas efetivas a novos desafios!
No dia 27 de janeiro de 2010, a Apple apresentou o seu tablet ao mundo — o iPad. O mundo editorial, desde então, não foi mais o mesmo.
As melhores editoras começaram a repensar seus negócios e a criar novas formas para alcançar seus leitores. Com a internet, a informação deixava de ser local e analógica, para ser mundial e digital. Agora, com os tablets e smartphones ela também torna-se portável ou móvel.
Tudo ao alcance dos dedos e com um único toque. Porém, para alcançar essa universalidade é preciso “falar” outros idiomas. E na ciência, impera o inglês.
Respondendo a essas demandas, a Dental Press lançou, nos últimos meses, duas de suas revistas em versões em inglês para o iPad. Em poucas semanas, a primeira, o Dental Press Journal of Orthodontics (DJPO), foi acessada por mais de 4 mil usuários de diversos países. Depois, foi a vez da Dental Press Endodontics, que já figura, segundo sites especializados em análises dos aplicativos (apps), como uma das mais procuradas da área.
Agora, chegou a vez da Revista Dental Press de Periodontia e Implantologia fazer parte dessa mudança.
A partir desse número, a revista passa a se chamar Dental Press Implantology (ISSN 2237-650X), sendo publicada oficialmente em língua inglesa, mas mantendo sua versão em português para atender seus leitores de até então.
Dessa forma, esperamos que os artigos publicados alcancem maior visibilidade e que o índice de impacto da revista seja cada vez maior, ajudando na indexação em bases de alcance mundial.
Na presente edição, além dos artigos selecionados para publicação, temos uma entrevista muito oportuna com o Prof. Dr. Charles Menezes Leahy, cuja trajetória pessoal e profissional é uma inspiração para todos nós. Graduado em 1953 pela Universidade Federal da Bahia, exerce a profissão até hoje, acumulando 58 anos de experiência, acompanhando de perto as principais evoluções conceituais e tecnológicas da Odontologia brasileira e mundial. É, portanto, um privilégio ler sobre todas as suas ações e lições que compilou de grandes mestres e pesquisadores, bem como sobre os caminhos da ciência e da pesquisa em Periodontia e Implantodontia.
Queremos, ainda, nessa publicação, fazer uma homenagem especial ao Prof. Dr. Renato Mazzonetto — falecido no início de outubro —, não só pelo exemplo de profissional, mas pelo legado enriquecedor que nos deixou. Professor Titular da Faculdade de Odontologia de Piracicaba/Unicamp, publicou artigos e livros de referência, tendo inclusive nessa edição, para nossa lembrança e satisfação, um relato de caso sobre “Reposicionamento cirúrgico de implante osseointegrado através de osteotomia segmentar”.
Juntamente com o editor, Prof. Dr. Carlos Eduardo Francischone, comunicamos também, a todos os nossos leitores, consultores e autores, que a partir dessa edição contaremos com mais um editor: o Prof. Dr. Alberto Consolaro, autor de vários livros, com inúmeros artigos publicados mundialmente e de um fôlego invejável e amor pela difusão científica.
Novos desafios, na companhia desses dois editores, nos encorajam continuamente a criar novos projetos e solidificar a Dental Press Implantology.
Sejam bem-vindos, todos!
Laurindo Furquim, Publisher.
Entrevista
Charles Menezes LeahyLuis Rogério DuarteO professor Charles Menezes Leahy é natural de Penedo, cidade histórica debruçada às margens do rio São Francisco, no sul do estado de Alagoas. Segundo filho de uma tradicional família de oito irmãos, todos homens, descendentes de irlandeses. Dedicou boa parte da sua vida à Odontologia e a ensiná-la. Homem ético, íntegro, honesto e respeitado por todos. Possuidor de grande sabedoria e cultura geral. Crítico, analítico e de fino senso de humor. Postura britanicamente elegante e firme. Pai de seis filhos e avô de onze netos. Considera sua família o seu maior e mais precioso legado e, segundo ele, quando bem dirigida, é fonte carreadora de inesgotável força renovadora e de boas energias, sob todos os aspectos. No meio acadêmico, por muitos anos e algumas gerações, foi professor da disciplina de Periodontia na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Alagoas — agora, aposentado. Sempre repetiu uma frase de sua autoria, que filosoficamente bem o representa, demonstrando o seu perfil de pensador e educador: “felizes os que sabem ler, porque podem estudar; os que estudam, porque podem aprender; os que aprendem, porque podem ensinar!”. Nesta agradável entrevista à revista Dental Press, o professor Charles Leahy responde às nossas mais variadas curiosidades, transitando por entre fatos acontecidos em sua vida pessoal e profissional, e a evolução técnico-científica da Odontologia, com muita serenidade e fluidez, sempre fazendo uso da sua prodigiosa memória para buscar no passado as informações desejadas. Quase em tom casual de narrativa e num idílico depoimento, registramos aqui ensinamentos, conselhos, advertências e livres pensamentos que devem ser absorvidos e considerados pelo leitor, numa globalizada visão da Odontologia. Guardadas as proporções, uma progressiva escalada de assuntos que bem retratam a vida acadêmica e a profissão do cirurgião-dentista, dentro desses últimos 58 anos de observação, dedicação e trabalho. O nosso entrevistado é um professor que dignifica a docência em seu mais lato sentido, assim como qualificado representante da Odontologia brasileira.
Explicações e Aplicações
Tecido de granulação e granuloma: dois termos com significados muito diferentesAlberto Consolaro, Franklin Moreira LeahyA confusão conceitual e o diagnóstico microscópico equivocado são comuns no emprego dos termos tecido de granulação e granuloma. Quando as áreas lesadas estão livres do agente agressor, o tecido de granulação, um tecido quase embrionário, forma-se no local para dar lugar a um novo tecido conjuntivo, restabelecendo-se a normalidade e/ou preenchendo espaços. Por outro lado, a persistência do agressor promove a continuidade da inflamação com macrófagos e células derivadas circunscrevendo-os, limitando sua agressividade. Esses aglomerados de macrófagos ao redor do persistente agressor recebem o nome de granulomas, um sinônimo de inflamação crônica. Apesar da sonoridade parecida, os termos granuloma e tecido de granulação representam fenômenos distintos e não devem ser utilizados como sinônimos nas análises microscópicas, pois isso induz a interpretações equivocadas.
Pergunte a um Expert
Quando indicar os enxertos ósseos autógenos ou dos substitutos ósseos em Implantodontia? Parte IPaulo Sérgio Perri de CarvalhoA Implantodontia moderna impulsionou as técnicas de cirurgia reconstrutivas e o desenvolvimento dos substitutos ósseos em todo o mundo e, para responder à pergunta do título desse artigo, torna-se imprescindível conhecer o mecanismo de ação de cada um deles e analisar sua demanda biológica para que, tanto o enxerto ósseo autógeno quanto os substitutos ósseos, possam ser aplicados em Implantodontia com diminuto risco de insucesso. ...
Caso Selecionado
Biomodelação do sorriso gengival: relato de caso clínicoWilker Morett Carvalho de Freitas, Chrys Morett Carvalho de Freitas, Jackelyne Noriko Kikuchi de Freitas, Rivanda Martins Costa de Freitas, Antonia Roberta Mitre Sampaio, Joyce Figueira de AraújoO sorriso gengival é uma queixa constante e o seu tratamento emprega desde métodos simples, como o uso da toxina botulínica, até os mais complexos, como a cirurgia ortognática. Este trabalho relata o tratamento do sorriso gengival através da biomodelação bucofacial, que cria um anteparo na região da fossa canina e evita a exposição gengival exagerada ao sorrir, devido à ação ampla do músculo elevador do orbicular da boca.
Implantes curtos como alternativa contra procedimentos invasivos: relato de casoNewton Bergamaschi Lucchiari Júnior*, Guenther Schuldt Filho**, João Gustavo Oliveira de Souza*, Pâmela Cândida Aires Ribas de Andrade*, Rodrigo Granato***, Marco Aurélio Bianchini****A utilização de implantes curtos (6,0–8,5mm) no tratamento reabilitador vem sendo bastante empregada em locais onde a altura óssea é limitada ou em regiões próximas a estruturas anatômicas importantes. Historicamente, o uso de implantes curtos tem sido associado a menores taxas de sucesso quando comparados com implantes de comprimento convencional. Entretanto, estudos clínicos recentes mostram uma similaridade na taxa de sucesso de implantes curtos e convencionais. Tanto para o clínico quanto para o paciente, esse tratamento apresenta-se como uma alternativa simples e segura, devido à redução dos custos, procedimentos cirúrgicos, morbidade e tempo de tratamento. Devido à similaridade nas taxas de sucesso, a indicação de implantes curtos pode ser feita em praticamente todos os casos, assim substituindo a realização de procedimentos invasivos para reconstrução do volume ósseo. O presente artigo apresenta uma resolução clínica que mostra a utilização de implantes curtos em mandíbula e maxila.
Artigo Inédito
Simulação da distribuição de tensões em implante dentário curto com carregamento axial em corticais com diferentes espessurasRoberto Brunow Lehmann, Carlos Nelson EliasObjetivo: avaliar o comportamento de implante curto inserido em osso cortical com diferentes espessuras. Métodos: foram realizadas simulações pelo método de elementos finitos com carregamento em implante curto (5,7 x 5,0mm) contendo hexágono externo. Ao todo, foram três modelos de simulação, um para cada espessura de osso cortical (1, 2 e 3mm). Resultados: quando o sistema foi inserido em um osso cortical de maior espessura, observou-se uma maior estabilidade e, consequentemente, menores tensões para o implante e componentes protéticos envolvidos. Conclusões: os resultados obtidos sugerem que o implante curto avaliado pode ser utilizado para as diferentes espessuras de osso cortical. Os valores de tensão obtidos foram sempre menores do que o necessário para induzir a deformação plástica do implante ou de qualquer componente do sistema protético. Para o osso cortical, as tensões foram menores do que o limite crítico apontado pela literatura para que ocorra a reabsorção óssea.
Revisão da Literatura
Peri-implantite: revisão de literaturaDaniela Colet, Rogério Parizotto Bandeira, Natasha Magro Érnica, Hilário Anderson HuberIntrodução: o tratamento reabilitador através do uso de implantes osseointegrados apresenta um alto índice de sucesso. Entretanto, estudos relatam a falência de implantes devido a infecções peri-implantares. A peri-implantite é definida como um processo inflamatório que afeta os tecidos ao redor de um implante osseointegrado, resultando em perda do osso de suporte, podendo levar à perda do implante. Os tratamentos da peri-implantite consistem, principalmente, em descontaminar a superfície do implante e estabilizar a perda óssea ao seu redor e, algumas vezes, em se tentar uma nova formação óssea ao redor dessa área anteriormente infectada. Embora seja possível tratar a peri-implantite, a prevenção é o foco da terapia de suporte. Objetivo: o objetivo desse trabalho foi realizar uma revisão de literatura sobre a peri-implantite, abordando sua etiologia, diagnóstico e tratamento. Conclusão: concluiu-se que as doenças peri-implantares são possíveis complicações do tratamento com implantes dentários osseointegráveis e podem indicar risco para insucesso, mas podem, também, ser temporárias ou passíveis de tratamento.
Caso Clínico
Expansores ósseos rosqueáveis na preparação do alvéolo cirúrgico para a instalação de implantes osseointegráveisGuilherme Teixeira Coelho terraA reabsorção na maxila é, muitas vezes, um problema para a instalação de implantes osseointegráveis sem antes ter de fazer uso de enxertos ósseos ou cirurgias reconstrutivas. As cirurgias reconstrutivas em maxila são, com certeza, a opção mais indicada em casos de reabsorção severa. Nos casos onde as atrofias não são tão críticas, um dos artifícios que podem ser adotados é a utilização de expansores rosqueáveis, uma técnica mais conservadora e menos invasiva. Com a utilização dos expansores, o tecido ósseo é reposicionado, com fraturas do tipo galho verde e compactação óssea lateral, o que, além do ganho ósseo em espessura, propicia também uma melhor estabilidade primária. O objetivo deste trabalho é apresentar uma modificação da técnica de Summers, utilizando expansores ósseos rosqueáveis. Com o uso de expansores rosqueáveis, essa expansão e compactação lateral do tecido ósseo ocorre com maior controle e sem desconforto para o paciente, sendo a principal diferença da técnica proposta por Summers.
Reposicionamento cirúrgico de implante osseointegrado através de osteotomia segmentar: relato de casoRafael Ortega-Lopes, Cláudio Ferreira Nóia, Valdir Cabral andrade, Castelo Pedro Vemba Cidade, Henrique Duque de Miranda Chaves Netto, Renato MazzonettoPara se obter previsibilidade no tratamento com implantes osseointegrados, sabe-se que o planejamento reverso é considerado um requisito fundamental. Porém, determinados fatores, que vão desde a habilidade do profissional a intercorrências transoperatórias, podem resultar no mal posicionamento do implante, que muitas vezes é observado no momento da reabilitação protética. Para a resolução desse problema, a técnica da osteotomia segmentar com enxerto interposicional pode ser realizada, com o objetivo de possibilitar a posterior reabilitação protética desses implantes dentro dos padrões funcionais e estéticos satisfatórios. O objetivo do presente estudo é demonstrar a aplicabilidade dessa técnica por meio do relato de um caso de implante, na região do elemento 11, que foi inserido insatisfatoriamente no sentido vertical, acarretando em insatisfação estética por parte do paciente. Ao término do tratamento, observou-se que a resolução estética do caso foi possível sem a necessidade de remoção do implante e, consequentemente, cirurgias adicionais. Assim, conclui-se que essa técnica está indicada para o reposicionamento de implantes osseointegrados.
Gengivectomia para o restabelecimento do arco côncavo regular: relato de casoLuis Eduardo Rilling da Nova Cruz, Josué Martos, Bruna Ramos do Canto, Ayumi Batista KodamaO objetivo deste trabalho é descrever um tratamento cirúrgico periodontal na região de incisivos superiores, com a finalidade de restabelecer a estética periodontal após tratamento ortodôntico. A gengivectomia associada à plastia gengival viabilizou a estética periodontal do caso clínico apresentado, solucionando a desproporção periodontal.
Implantes dentários na substituição de PPRs com nivelamento do plano oclusal: relato de dois casosEuro Luiz Elerati, Mauricéa de Paula Assis, Wanessa Cristina Filgueiras Batista dos Reis, Sérgio Carvalho CostaIntrodução: o uso de implantes osseointegrados na reabilitação de paciente parcialmente edêntulos é, atualmente, uma realidade que proporciona maior conforto àqueles que usam próteses removíveis, devido à substituição dessas por próteses fixas. Nos casos de reabilitação bucal, o plano oclusal precisa ser restabelecido para favorecer a saúde, a função e a estética. Objetivo: o objetivo deste trabalho é relatar dois casos clínicos onde a reabilitação bucal foi realizada em pacientes parcialmente edêntulos, usuários de próteses parciais removíveis (PPRs). Relato dos casos: os casos foram planejados com modelos de estudo, montados em articulador semiajustável (ASA) e feito enceramento diagnóstico. A seguir, foram feitas cirurgias para colocação de implantes dentários e restaurações dos dentes remanescentes. Após o período de osseointegração, próteses parciais fixas implantossuportadas foram confeccionadas e instaladas com adequação do plano oclusal. O controle clínico, aos 24 e 36 meses, dos casos demonstra saúde dos tecidos periodontais e peri-implantares, estabilidade das próteses e satisfação dos pacientes. Conclusão: pode-se concluir, de acordo com os resultados obtidos, que a substituição de PPRs por implantes dentários pode ser realizada com sucesso, mediante planejamento cirúrgico-protético adequado e utilização criteriosa dos fundamentos de oclusão.
Revisão da Literatura
Implantes dentários em zircônia: uma alternativa para o presente ou para o futuro? (Parte I)Celso João HOCHSCHEIDT, Edson Durval Menezes Alves, Luiz Antônio Bastos Bernardes, Regina Célia HochscheidtIntrodução: os implantes dentários e os abutments normalmente são fabricados com titânio (Ti), devido à histórica biocompatibilidade e propriedades mecânicas desse metal. No entanto, alguns problemas locais relacionados a fenótipos gengivais finos ou linhas do sorriso altas sempre foram um desafio para a Implantodontia. Nessas situações, existe o risco de sua cor acinzentada transparecer através da mucosa gengival. Também têm sido relatados os efeitos prejudiciais dos materiais metálicos ao organismo humano, tanto no aspecto peri-implantar quanto sistêmico, principalmente pelos seguidores da Medicina holística. Objetivo: com o objetivo de encontrar um material alternativo ao Ti, realizou-se uma ampla revisão bibliográfica. Métodos: pesquisaram-se as cerâmicas de dióxido de zircônio (ZrO2), ou zircônia (Zr), com estudos in vitro e in vivo. Também, mostraram-se dados clínicos da conexão osso-implante (BIC, Bone-Implant Contact), avaliando sua biocompatibilidade, sua resistência e indicações. Conclusões: concluiu-se que a zircônia é considerada um biomaterial de ótima biocompatibilidade, com osseointegração e taxas de BIC comparáveis às do Ti. As cerâmicas de Zr com superfícies modificadas apresentam uma osseointegração mais favorável. Os implantes dentários em Y-TZP (zircônia tetragonal policristalina estabilizada com ítrio) têm muitas vantagens sobre os outros materiais cerâmicos, graças aos mecanismos de tenacidade que operam na microestrutura. A resistência à fratura desse biomaterial está dentro dos limites de aceitação clínica, na normalidade funcional do sistema estomatognático. Portanto, os implantes de Zr já são uma alternativa aos de Ti, estando mais indicados para a região anterior, nos fenótipos gengivais finos, com linha de sorriso elevada e, sobretudo, para os pacientes com alergia a metais ou metaloses.